Paradigma

 

O pai

 

Aquele cansaço de existir, aquela gosma impregnando os ossos, os músculos, os tecidos, o sangue estagnado sob a pele desbotada, nem mesmo um gesto a se estender no ar, ela parada na porta, nem indo nem vindo, só ali, não se mexendo, há quanto tempo a última alegria? o último sorriso? cansaço, esforço inútil de respirar, gosma grudando o ar e a parca luz do quarto fechado, cada um na sua bolha fofa e fria, frágil fio por partir num sopro. O pai parado na porta entre o quarto e agora. Por que você chegou tarde? Onde já se viu moça de família na rua a estas horas? Você sabe que horas são? Há anos são dez horas da noite, nunca mais amanheceu. Quem é aquele vagabundo que estava com você na saída da escola? A manhã inteira esfregando a saia de flanela azul pregueada no banco, o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos, no universo nada se perde, tudo se transforma. Tudo se transforma em quê? Quem é aquele sacana que estava com você na saída da escola? A escola, sempre a escola. Professora ou aluna, sempre a escola. Diante da turma, que vontade de mandar todos os alunos para aquele lugar, que horror, de que adianta ensinar o teorema de Pitágoras? as meninas esfregando nos bancos as calças blue jeans, o que é cateto? já pensou, o quadrado do cacete? O pai parado na porta, entre o triângulo e a buzina do carro. Quem é aquele desgraçado que lhe deu carona? São dez horas da noite no universo inteiro e tudo se transforma em triângulos exatos. Quem é aquele... Pelo amor de Deus, pai, eu tenho quarenta anos, até quando você vai pedir satisfações de minha vida? Desculpe, pai, papaizinho, eu rasguei meu vestido brincando no quintal, desculpe. O pai parado na porta, entre a boneca e a tarde. Quem é aquele menino que estava correndo na rua atrás de você? Você não sabe que é feio menina brincar com menino? E o muro? Você não sabe que menina não sobe em muro? Desculpe, papai, eu só queria ver o que havia do outro lado. Do outro lado do muro havia o havia. As meninas se encontravam com os meninos atrás do muro. Mas papai, eu quero tanto ir ao aniversário de Teresinha, não tem nada demais, eu já estudei, já fiz todos os deveres, estou cansada. Cansaço gosmento na cabeça, nos olhos inchados. O pai parado na porta, entre o barulho dos ônibus e o tapa. Quem é aquele rapaz que estava conversando com você na esquina? Não tem nada de quinze anos nem nada, sua mãe nunca conversou comigo sozinha antes do casamento. Mas papai, a gente não mora na roça. O pai parado na porta, entre o caixão que saía e o retrato da mãe vestida de noiva, o retrato pendurado na parede. De agora em diante, minha filha, você tem que tomar conta de seu pai, fazer companhia a ele, seja uma boa filha. Namorar? Quem é aquele miserável que quer desgraçar a sua vida? Você não tem pena de seu pai? Você sabe que horas são? Onde já se viu escola terminar a esta hora? Que reunião que nada. A escola, sempre a escola. Os ângulos de um triângulo somam 180°. Por quê? Nunca, mas nunca mesmo poderá mudar? Esta soma será eternamente mesma num universo onde nada se perde e tudo se transforma? Nada se perde, nem os dias nem os anos nem as horas, nada se perde, mas tudo se transforma num monturo de lembranças rançosas de tudo que não pôde ser no baile de formatura. Professora, sim, senhora, parabéns. A parentada toda despejou-se do interior, aqueles parentes tabaréus, as mulheres com o rosto todo caiado de pó de arroz, os homens com as cabeças engorduradas de brilhantina, todos atarantados junto dela, que vergonha, as tias e as primas enfiadas nos vestidos de tafetá chamalotado, cheios de franzidos, sem saberem se seguravam as bolsas ou os chapéus de palha enfeitados de flores as mais indefectíveis, ah que vergonha, os ternos desajeitados de casimira listrada dos tios e dos primos amarrados às gravatas de cores desgovernadas, sim senhora, parabéns, professora, a primeira aluna de toda a faculdade, vejam só, ela estudou na faculdade, pena que a mãe não esteja mais na terra pra ver, coitada. Em todo o correr dos anos, tudo se transforma. Pitágoras, não, nem se perde nem se transforma, irredutível na sua exatidão geométrica, os alunos se transformam, os alunos esfregando os bancos, as calças cáqui de brim, os blue jeans, você é menino ou menina? O pai paradíssimo na porta, entre um ano e outro ano. Quem é aquele veado que estava com você no ponto de ônibus? Ah! é uma amiga, este mundo está perdido e você ainda reclama porque eu me preocupo com você. Hoje nós vamos ao cinema juntos. Hoje nós vamos ao aniversário de sua tia. Por que você quer sair sozinha? Filha ingrata, eu faço tudo para lhe distrair e você fica aí toda emburrada. Domingo que vem nós vamos passar o dia em Itaparica na casa de seu padrinho (mas papai) você não quer ir por quê? Você tem que espairecer. O pai parado na porta, entre um anúncio e um comprimido. Ainda bem que você chegou cedo, vamos ver a novela das oito na televisão. É boa esta novela, eu gosto muito de novela, você precisa ver novela, distrai muito. Sim papai, de agora em diante, eu vou ver todas as novelas, a das seis a das sete a das oito a das dez, tem das onze? Não, é bom que não tenha porque a gente dorme cedo, você tem que acordar cedo para ir à aula. Por que você quer fazer curso de pós-graduação? Pra quê? Bobagem, minha filha, você já estudou muito, trabalha muito, já não é criança, de noite precisa descansar. Sim, o cansaço, tanto cansaço, torpor guardando os membros e os pés no chão, não quero sair não, papai, vamos ver televisão. O pai parado na porta, entre a bengala e o catarro. Quem é aquele velho sem-vergonha que saiu com você da escola? Será possível que você não sabe o que os outros vão pensar? Mas papai. O pai parado na porta, atravessado entre a hora de sair e a hora de nunca mais. Papai? Cansaço. Cansaço de existir. Ela parada na porta, entre ficar e não sair, o corpo colado numa gosma nem fria nem quente, um amarrado nos ossos, um grude se enfiando pelos poros, alguém tocou a campainha? Ninguém entra ninguém sai, o teorema de Pitágoras demonstrando para sempre até as mais densas profundezas do cansaço essencial. O quadrado do sim é igual à soma dos quadrados de todos os nãos incendiados na medula. Cansaço de viver e não viver. Nada se perde nada se ganha. O universo inteiro transformado num atoleiro bolorento de esquecimentos do que nunca aconteceu em nenhum dia, em nenhuma hora, atrás do muro da escola, onde houve um menino e uma menina. .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mulher no Espelho

 

Helena Parente Cunha em Mulher no espelho, publicado em 1985, desloca para Salvador (Bahia) o cenário do enredo, que, para quase toda essa geração de mulheres escritoras, parece estar no âmago de sua imaginação criadora, a história de sua própria imagem vilipendiada pela espoliação masculina: E vou começar a minha estória. Agora, na superposição de meus rostos, em convergência de datas. Aqui no cruzamento de meu corpo com o espaço de minhas imagens. Tenho o que dizer pois vou dizer-me a mim mesma (Cunha, H. P., 1985) mas, como qualquer pessoa que se põe diante da memória ou dos espelhos. O recurso confessional é mais uma vez o caminho literário eleito e o lamento dorido é prolongado nesta autora que sob uma dupla identidade (a real, passiva e a do espelho, revoltosa) realiza uma reflexão ininterrupta em torno de si mesma e de seu "estar no mundo": Não desejo narrar a mulher que me escreve. Quero narrar a mim mesma somente (Cunha, H. P.) Mas quem é ela? Perseguindo obsessivamente a própria identidade, a voz narradora (a do espelho) descreve amarga e punitivamente a mulher que reflete: a heroína do fracasso cotidiano, do sofrimento anônimo, da miséria sem remédio. A personagem, inominada, de Mulher no espelho é sangrenta e sexual na flagelação que se inflige, de um lado e se submete, de outro. Autoflagelação que se transforma em ódio derramado sobre o universo familiar que a cerca e do qual tenta se libertar por rompimento violento, que termina em remorso partilhado pela personagem e seu duplo. As violências que são praticadas no romance contra a "instituição" e o "Nome do Pai" são penalizadas pela morte do filho chorado por ambas, a mulher real e a mulher refletida: Agora estamos paradas, uma olhando para a outra, os pés roídos de ratos. Os espelhos multiplicam as imagens até o infinito. Mas nosso remorso nos une. Meu rosto no espelho é o dela. Ela sou eu. Eu sou ela. No final os espelhos se rompem metaforizando o reencontro da própria personalidade e da identidade feminina da protagonista. Este é o desfecho de uma narrativa contada através de espelhos que da realidade histórica circundante nada mostram, confirmando a hipótese de que o excesso de subjetivismo e a contínua reflexão autobiográfica desta fase impediram a filtragem de uma realidade social em que o registro das mudanças (políticas e comportamentais) poderia estar presente. Mulher no espelho permanece sendo sua obra mais polemizada pelo choque que causaram sua linguagem rasgada e o comportamento quase debochado da protagonista, ainda hoje considerado, por muitos, como inadequado para uma mulher.

 

 

 

 

 

Falas e Falares

 

Ela só queria o que era dela O que declarar no item do formulário – estado civil?: divorciada?, viúva?, separada?, sim, ela era divorciada viúva separada, o advogado viu e ouviu e resolveu a pendência do proprietário do imóvel, ,que tal um jantar para comemorar?, eu telefono ou você me liga?, gosto do autor desta peça, obrigada pelo livro, concordo com a escritora quanto ao enfoque dos excluídos, vamos passar o fim de semana em Parati?, minhas filhas não vão a nossa casa da praia há anos, ,teatros, cinemas, restaurantes, viagens, cruzeiros, museus, balés, fins de semana em Parati, eles iam, eles foram, eles iriam, ,e o tempo, ah, o tempo desfolhando as árvores e os cabelos, o céu mudando reflexos do entardecer, as janelas fechando estrelas em noite sem manhã nem dia, - nosso pai perdeu o juízo quando levou a vadia para morar na casa de nossa mãe, - nosso pai caiu na armadilha da vagabunda que só queria as vantagens da reputação dele, - nosso pai estava incapacitado mentalmente quando, no testamento, deixou para a devassa a casa de Parati e o apartamento de nossa mãe, ,o tempo não teve tempo de acelerar a geometria das horas nem a equação dos dias, ,declaração passada em cartório, juridicamente correta, ,ela renunciava aos bens que haviam pertencido à esposa internada numa clínica de doentes mentais, ,e só queria o que lhe pertencia, ,apartamento de quarto e sala comprado com o dinheiro do trabalho na escola do bairro onde havia morado e lecionado, ,antes de conhecer o falecido,

 

 

 

 

A floresta

 

Cabana flutuante

Minha varanda de madeira da cabana flutuante mergulha nas dobras e fluidos recantos deste rio ancestral no móvel novelo de folhas e raízes e rápidos brilhos e camadas submersas se penetram os caminhos da floresta acontecida

 

Floresta submersa

A floresta submersa é plantada em raízes que se sentam e se abraçam nas intimidades abissais destas águas sem começo nem fim quem viu? quem sabe? quem vislumbrou a altura deste vigor de sobreviver ?

 

Desapego

Nas expansões da floresta eu me acrescento e me desapego das referências e das fronteiras sendo sem frestas nem contorno meu barco no rio meu passo na terra com chão

 

 

 

VITÓRIA RÉGIA

A lua cabia nos olhos abertos das águas e se perfazia na fluidez noturna da lagoa uma índia enamorada foi ao encontro da lua refletida em alvo brilho no fundo espelho das águas no mais fundo das retinas mergulhou quanto e por quando atrás da intacta morada onde o sinal do caminho? onde a medida perfeita de se fazer uma estrela? mas a índia enamorada mudada em flor da lagoa é mandala desdobrada em outras muitas mandalas vestindo o corpo das águas acolhendo em seus redondos o etéreo redondo da lua nas modulações da noite a límpida flor escondida sob os lábios das mandalas desabrocha o branco viço sob as pétalas do luar e a índia enamorada agora flor e estrela insinua seus rosados no oscilante amanhecer do céu moreno da lagoa

 

 

Minicurriculum

 

 

Curriculum Helena Parente Cunha é natural da Bahia, escritora, professora, detentora de vários prêmios literários. Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora Titular de Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro onde foi Diretora, exerceu e exerce várias funções. Pesquisadora do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), nivel 1. Licenciatura em Letras Neolatinas – Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Especialização pela Universidade de Perúgia, Itália. Mestrado, Doutorado, Livre Docência pela Faculdade de Letras da UFRJ. Pós-doutorado na Escola de Comunicação da UFRJ.

 

 

 

 

 

 

Plataforma Lattes

 

Link para o currículo Lattes

 

 

 

 

 

Paradoxos

 

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Trabalho

 

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Intelectual trabalho; criatividade Expressão.

 

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******** Visões, Ações Pensamento.

 

 

Novos projetos

 

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Novos contos

 

TRÊS TEMPOS SIMULTÂNEOS

para Maria Helena Kühner

Tão linda e ainda mais tão feliz, tão jovem e ainda mais tão enamorada, minhas amigas, quem não é tão linda e mais do que tão feliz, quando o dia amanhece e você tem vinte anos e o pulsar da manhã vibra no ritmo da descoberta do amor? Assim era e assim foi e assim será ao longo do corredor dos séculos idos e por vir. E você? e ela? e esta de agora que vejo debruçada na janela? Espera alguém? Quem. Esplendor de flamboyants em chamas junto à janela dela. Ela olha além do ardor flamejante das flores pulsantes. É ele? Sim, também assim é, minhas amigas, que sabem que no turbilhonar do tempo e do que muda mais do que o assim não é e muito mais será, se espraiam no frêmito da paisagem vibrações e febres ao redor dos calendários e das idades. É pleno o dia no final da tarde sob os tons matizados de vermelho em céu igual, mas nunca mesmo, vocês sabem. Quem é aquela no sofá da sala de estar?, cálidas cortinas transparentes?, e aquele?, quem é ele que vem com dois copos de uísque e pedras de gelo e oscilar de brilhos em tépidos cristais?. e mais as transparências, sob o claro ritmo de goles e olhares e toques e estremecimentos de quem sabe o caminho das metáforas e das escolhas. Pela porta da frente, a neta, mais linda e mais feliz do que o amanhecer da hora sua e dele. A filha se aproxima e vem com ele e a flor flamejante do sorriso. A avó faz um gesto em curvaturas do decote e nitidez do colo sem colares, enquanto ele traz mais copos e mais cristais e mais aconchegantes brilhos. Entre desfiladeiros e promontórios e oscilar de cortinas e transparências, a avó, a filha e a neta, no embalo da tarde e no ritmo de seus namorados.

 

JEREMIAS NA PRAIA DE GUARAJUBA

para Cida e Marcito

Caminho pelo chão de água e algas e conchas e escamas. Beira móvel de ondas sobre e sob meu passo derramado de brilho solar. Barulho fresco de espumas e areia em tão cedo esta manhã de domingo, ,de repente, Jeremias. Longa a cabeça baixa, porém acima da lentidão e das marcas das patas pacatas impressas no seu passar. Os distantes olhos de Jeremias ignoram meu olhar inventado. Ternura ou compaixão, ,seu Crispim, bom-dia, e ele vem arrastando os pés dentro das alpercatas de couro cru e borracha de pneu velho, bom-dia dona. Vou tomar agora minha água de coco verde, mas você já sabe, seu Crispim, quero a polpa bem molinha, ,o brilho do sol vai do fio afiado do facão às pontas dos artelhos meus e dele. Entre uma ponta e outra do lampejo, a abertura das fibras ruivas da casca em sua densidade exposta. Ancestral é o gesto de seu Crispim ao me colocar o coco aberto na obviedade da mão. Mais antiga é minha boca anterior às minhas datas mais remotas, ,seu Crispim, por que Jeremias ficou assim agitado? Ele é sempre tão tranquilo, você está rindo de quê, seu Crispim? Mas então, o que é que Jeremias está querendo?, ,finalmente eu divido a placidez da polpa do meu coco verde com Jeremias. O jegue sorri ao redor das patas inscritas na areia da praia e da trêmula polpa no fundo de minha mão em arco. No leve bater das patas pacatas, a delicadeza das intenções de Jeremias, ao me agradecer. A farta língua enternecida, na espessura do gesto repetido na curva aberta de minha mão primordial,

 

ELA E ELES

para Regina e Christine

,,,mulher, me traga meu prato de comida, mulher lave minha camisa, mulher este feijão está sem sal, mulher, venha deitar na minha cama

,,,ela sorria e levava e lavava e temperava e deitava e

,,,os canteiros do jardim se dançavam em pétalas e gotas de sol quando ela vinha com suas águas e cuidados

,,,mãe, eu já disse que não gosto desta sobremesa, mãe eu já disse que você tem que anotar o nome das pessoas que me telefonam, mãe, eu já disse mas você não me ouve, mãe, eu não tenho que dar conta de minha vida para você, mãe, eu não quero que você me faça perguntas

,,,ela sorria, ela media o açúcar, ela anotava os nomes, ela ouvia, ela não perguntava e

,,,o passarinho entrava e saía da gaiola e dançava na palma da mão aberta para vôos e caminhos

,,,vovó, eu não quero ir para a escola hoje, vovó eu quero ir na pracinha agora, vovó eu não quero mais que você me conte estórias de fadas e palácio encantado, vovó, eu quero brincar de macaquinho nas suas costas

,,,ela sorria, ela não ia, ela ia, ela não contava, ela sentava no chão e

,,,ao longe ela ouvia os apelos do mar, perto a voz do búzio no ouvido anunciava horizontes e abismos sem fronteiras

,,,mulher, este menino quebrou a perna porque você etc, mãe, este menino está com febre porque você etc., será possível, mulher?, será possível, mãe?, é preciso dar limites às crianças

,,,ela não sorriu, mas

,,,ela sorria ao dia que amanhecia e deitou suas águas na dança das pétalas e gotas do sol e abriu a gaiola para a dança dos caminhos do passarinho e não pegou a bolsa nem deixou a mesa posta, mas deixou o portão aberto e

,,,sorria e foi pela rua, pela pracinha, e molhou suas águas no sal das águas do mar e foi além do trilho do trem e foi e

,,,ela sorria e caminhava a dança dos caminhos e das portas abertas e

 

 

 

Reflexões

 

 

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